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11/05/2011

Jogos Paraolímpicos

OS JOGOS OLÍMPICOS 

Os Jogos Paraolímpicos são o maior evento esportivo mundial envolvendo pessoas com deficiência. Inclui atletas com deficiências físicas (de mobilidade, amputações, cegueira ou paralisia cerebral) e, até 2000, atletas que sofriam de deficiência mental. 

Realizados pela primeira vez em 1960 em Roma, Itália, têm sua origem em Stoke Mandeville, na Inglaterra, onde ocorreram as primeiras competições esportivas para deficientes físicos, como forma de reabilitar militares atingidos na Segunda Guerra Mundial.

O sucesso das primeiras competições proporcionou um rápido crescimento ao movimento paraolímpico, que em 1976 já contava com quarenta países. Neste mesmo ano foi realizada a primeira edição dos Jogos de Inverno, levando a mais pessoas deficientes a possibilidade de praticar esportes em alto nível. 

Os Jogos de Seul, em 1988, representam um marco para o evento, já que pela primeira vez os comitês organizadores dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos trabalharam juntos. 

O apoio do Comitê Olímpico Internacional proporcionou a fundação, em 1989, do Comitê Paraolímpico Internacional. Desde então os dois órgãos desenvolvem ações conjuntas visando ao desenvolvimento do esporte para deficientes.

Vinte e oito modalidades compõem o programa dos Jogos Paraolímpicos, sendo que vinte e cinco já foram disputadas, duas irão estrear na edição de 2016 e uma não tem previsão para a inclusão. 

Além de modalidades adaptadas, como atletismo, natação, basquetebol, tênis de mesa, esqui alpino e curling, há esportes disputados exclusivamente por deficientes, como bocha, goalball e futebol de cinco. Ao longo da história, diversos atletas com deficiência física participaram de edições dos Jogos Olímpicos, tendo conseguido resultados expressivos. 

O único caso registrado de atleta profissional que fez o caminho inverso, ou seja, competiu primeiro em Jogos Olímpicos e depois em Jogos Paraolímpicos, é o do esgrimista húngaro Pál Szekeres, que conquistou uma medalha de bronze em 1988 e, após os Jogos, sofreu um acidente que o deixou paraplégico. Szekeres já participou de cinco Jogos Paraolímpicos.
O Brasil tem conseguido destaque nas últimas edições dos Jogos Paraolímpicos. O país estreou em 1976 e conquistou sua primeira medalha na edição seguinte. 

Em 2008, pela primeira vez encerrou uma edição entre os dez primeiros no quadro de medalhas, ficando em nono lugar com 47 medalhas. Os nadadores Clodoaldo Silva e Daniel Dias e os corredores Lucas Prado, Ádria Santos e Terezinha Guilhermina são alguns dos destaques paraesportivos do país. Portugal também tem obtido bons resultados, com destaque para a natação e a bocha, que deram seis das sete medalhas do país em 2008.

Angola compete apenas desde 1996, mas já conquistou seis medalhas, todas no atletismo. Cabo Verde e Timor-Leste também já participaram de Jogos Paraolímpicos, mas nunca ganharam medalhas.

HISTÓRIA

Em 1939, o neurologista alemão de origem judia Ludwig Guttmann foi forçado pelo governo nazista da Alemanha a deixar o país com sua família e se estabelecer na Inglaterra, trabalhando na Universidade de Oxford. Em 1943, Guttmann foi indicado pelo governo britânico para chefiar o Centro Nacional de Traumatismos na cidade de Stoke Mandeville, sendo sua principal missão a reabilitação de soldados que serviram na Segunda Guerra Mundial.

Antes da Guerra não havia registros de grandes esforços para reabilitar deficientes físicos, cuja vida era considerada de curta duração e de má qualidade. Guttmann desenvolveu uma nova filosofia de tratamento para os seus pacientes que unia trabalho e esporte. 

Entre as modalidades usadas no tratamento estavam basquetebol, tiro com arco, dardos e bilhar. Com o sucesso do novo sistema, Guttmann promoveu, em 28 de julho de 1948, o primeiro evento esportivo exclusivo para portadores de deficiência. A data não foi escolhida por acaso, uma vez que no mesmo dia tinham início os Jogos Olímpicos de Londres, a apenas 56 km de Stoke Mandeville. 
  
Dois grupos de arqueiros paraplégicos participaram da competição. O evento continuou a ocorrer todos os anos, tornando-se internacional em 1952, quando quatro atletas dos Países Baixos competiram. O crescimento continou de maneira acelerada até que, em 1960, a competição ocorreu pela primeira vez fora do Reino Unido.

OS PRIMEIROS JOGOS OLÍMPICOS 

Roma, na Itália, foi escolhida em 1959 sede da nona edição dos Jogos Internacionais de Stoke Mandeville, como era conhecido o evento, graças aos esforços de Guttmann em unir Jogos Olímpicos e competições para deficientes (Roma também sediaria os Jogos Olímpicos de Verão de 1960). Quatrocentos atletas de vinte e três países competiram em provas exclusivas para usuários de cadeira de rodas.

A competição continuou a ser realizada na cidade inglesa nos anos seguintes, mas em 1964 novamente ocorreu na mesma cidade dos Jogos Olímpicos (Tóquio, no Japão). Nesta época já era comum, principalmente para a imprensa, o uso do nome "Paraolimpíadas" (contração de "Paraplegia" e "Olimpíadas") para designar o evento, principalmente aquele que ocorria fora da Inglaterra.

A realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos na mesma cidade não pôde ter continuidade em 1968, já que a Cidade do México desistiu por problemas financeiros e por falta de acessibilidade para pessoas em cadeira de rodas nos locais de competição. Tel Aviv, em Israel, recebeu a terceira edição dos Jogos. Em 1972, mais uma vez a sede dos Jogos Olímpicos não recebeu as Paraolimpíadas. 

Munique, na Alemanha Ocidental, declinou à ideia de organizar os Jogos por causa da falta de acessibilidade na Vila Olímpica. Heidelberg, no mesmo país, se ofereceu como alternativa.
 Novos tipos de deficiência


Amputados passaram a competir nos Jogos Paraolímpicos em 1976.

Ainda na década de 1960 surgiu o interesse de outras organizações de apoio aos deficientes em participar dos Jogos Paraolímpicos. Em 1976, ano em que mais uma vez o evento ocorreu no mesmo país sede dos Jogos Olímpicos (Canadá), mas em outra cidade (Toronto, enquanto Montreal recebeu as Olimpíadas), outras categorias passaram a integrar os Jogos. 

Pela primeira vez foram realizados eventos para deficientes visuais, amputados, pessoas com lesão na medula espinhal, entre outros, totalizando 1600 atletas de quarenta países.
Em 2000, os deficientes mentais foram excluídos dos jogos por causas de denúncias de fraudes na escalação dos atletas. Na época, um jornalista se infiltrou na equipe de basquetebol da Espanha, e descobriu que atletas sem deficiência eram escalados, inclusive o próprio jornalista foi escalado entre os jogadores.

Havia muita dificuldade em determinar o que seria "deficiência mental" já que os critérios não eram bem definidos. Na última assembleia geral do Comitê Paraolímpico Internacional em Cairo no Egito em 2004, foi aprovada a resolução que permitia novamente a participação de portadores de deficiência mental nos jogos.

JOGOS PARAOLÍMPIACOS DE INVERNO

As adaptações dos esportes de inverno para deficientes também começaram a ocorrer após a Segunda Guerra Mundial. Em 1948 uma corrida na Áustria reuniu 17 esquiadores amputados, na primeira edição do que viria a ser o campeonato nacional de esqui para amputados. 

Em 1974 ocorreu o primeiro Campeonato Mundial de Esqui para Deficientes, na cidade de Le Grand-Bornand, na França. Os primeiros Jogos Paraolímpicos de Inverno ocorreram dois anos depois em Örnsköldsvik, Noruega.

JOGOS MODERNOS 

Em 1988, os Jogos Paraolímpicos voltaram a acontecer na mesma cidade dos Jogos Olímpicos (Seul, na Coreia do Sul), e pela primeira vez os comitês organizadores dos dois eventos trabalharam juntos. Por isso, os Jogos de Seul são considerados um marco no movimento paraolímpico mundial. Novas deficiências foram adicionadas e o programa foi expandido para dezessete esportes, que passaram a ter um sistema de classificação por tipo e grau de deficiência.
Um ano após os Jogos de Seul o Comitê Paraolímpico Internacional foi fundado, reunindo 167 países.
Em 2000, o IPC e o Comitê Olímpico Internacional assinaram um acordo de cooperação, complementado no ano seguinte com a política "Uma Eleição, Uma Cidade", segundo a qual a eleição da cidade-sede dos Jogos Olímpicos passaria a incorporar exigências relativas aos Jogos Paraolímpicos.

Comitê Paraolímpico Internacional - Precursores (1964 – 1989)

A primeira organização dedicada à promoção de oportunidades esportivas para pessoas com deficiência foi a Internacional Organização Desportiva para Deficientes (ISOD), fundada em 1964. Os fundadores desta organização pretendiam que fosse um órgão de desporto adaptado, tal qual o COI era para os Jogos Olímpicos. 

Esta comissão se tornou o Comitê de Coordenação Internacional de Organizações Mundial de Esportes para Deficientes (ICC), que foi criado em 1982. O ICC foi encarregado de defender os direitos dos atletas com deficiência frente ao COI.  Após o sucesso do esforço de cooperação entre o ICC e o COI, o que resultou nos Jogos Paraolímpicos de Verão de 1988 em Seul, o ICC determinou a necessidade de se expandir e incluir representantes de todas as nações que tinham programas de desporto para deficientes. 

Também considerou necessário incluir atletas nas decisões do órgão regulador paraolímpico. Por conseguinte, este organismo foi reorganizado como o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) em 1989.

O IPC é o órgão mundial que rege o Movimento Paraolímpico. É composto por 165 Comitês Paraolímpicos Nacionais (CPN) e quatro federações desportivas de deficiência específica internacionais. O presidente da IPC é Philip Craven, ex-atleta da Grã-Bretanha. 

Na sua qualidade de chefe do IPC, Craven também é membro do Comitê Olímpico Internacional. A sede internacional do IPC está em Bonn, na Alemanha. O IPC é responsável pela organização dos Jogos Paraolímpicos de verão e inverno. Serve também como a Federação Internacional para nove esportes. 

Isto exige que o IPC supervisione e coordene os Campeonatos Mundiais e outras competições para cada um dos nove esportes que regulamenta. Submetidos a autoridade do IPC estão um grande número de organizações desportivas nacionais e internacionais e federações. 

O IPC também reconhece parceiros de mídia, certifica funcionários, juízes e é responsável pela aplicação do estatuto da Carta Paraolímpica.
O IPC tem um relacionamento de cooperação com o Comitê Olímpico Internacional (COI). Delegados do IPC também são membros do COI e participam da comissão do COI e das comissões. Os dois órgãos permanecem distintos, com jogos em separado, apesar da estreita relação de trabalho.


A SIMBOLOS PARAOLÍMPICA 

A origem do termo "Paraolimpíada" é obscura. O nome foi originalmente criado numa contração combinando "Paraplegia" e "Olimpíada".
 A inclusão de outros grupos de deficiência tornaram esta explicação inadequada. 

A explicação formal atual para o nome é que ele deriva da preposição grega παρά, pará ("junto a" ou "ao lado de") e, portanto, refere-se a uma competição realizada em paralelo com os Jogos Olímpicos. A primeira vez que o termo "Paraolímpicos" entrou em uso oficial ocorreu nos Jogos de Verão de 1988, realizados em Seul.

"Espírito em Movimento" é o lema do movimento paraolímpico. O lema foi introduzido em 2004 nos Jogos Paralímpicos de Atenas. O lema anterior era "Mente, Corpo e Espírito", lançado em 1994.

O símbolo dos Jogos Paraolímpicos contém três cores, vermelho, azul e verde, que são as cores mais amplamente representadas nas bandeiras das nações. Cada cor está na forma de um Agito (que em latim significa "eu me movo"). Os três Agitos circundam um ponto central, que é um símbolo para os atletas se reunirem de todos os pontos do globo. 

O lema e o símbolo do IPC foram alterados em 2003 para suas versões atuais. A mudança teve a intenção de transmitir a ideia de que atletas demonstram um espírito de competição e que o IPC como uma organização percebe o seu potencial e está avançando para alcançá-lo. A visão do IPC é, "permitir que atletas paraolímpicos alcancem a excelência desportiva e inspirem e excitem o mundo."

RELAÇÕES COM OS JOGOS OLÍMPICOS

Em 2001, o Comitê Olímpico Internacional (COI) e o Comitê Paraolímpico Internacional (IPC) assinaram um acordo que garante que as cidades-sede gerenciem tanto os Jogos Olímpicos quanto os Paraolímpicos. 

Este acordo permanece em vigor até os Jogos Olímpicos de Verão de 2012. Porém, será estendido para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 e os Jogos Olímpicos de Verão de 2016.

O COI tem escrito o seu compromisso com a igualdade de acesso ao atletismo para todas as pessoas em sua Carta, que afirma: “A prática do desporto é um direito humano. 

Cada indivíduo deve ter a possibilidade de praticar desporto, sem discriminação de qualquer tipo e no espírito olímpico, que exige a compreensão mútua com um espírito de amizade, solidariedade e fair play... Qualquer forma de discriminação com relação a um país ou uma pessoa em razão de raça, religião, política, sexo ou de outro modo, é incompatível com os pertencentes ao Movimento Olímpico.
Embora a Carta não se manifeste sobre a discriminação especificamente relacionada com a deficiência, tendo em conta a linguagem na Carta a respeito da discriminação, é razoável inferir que a discriminação em razão da deficiência seria contra os ideais da Carta Olímpica e ao COI. Isto é, também consistente com a Carta Paraolímpica, que proíbe a discriminação com base na política, religião, deficiência, economia, sexo, orientação sexual ou por motivos raciais.


Oscar Pistorius em uma competição em 08 de julho de 2007
O presidente do comitê organizador de Londres, Lord Coe, disse sobre os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de Verão de 2012
Nós queremos mudar as atitudes do público em relação à deficiência, celebrar a excelência do esporte paraolímpico e consagrar desde o início que os dois Jogos são um todo integrado.

 Paraolímpicos nas Olimpíadas

Os atletas paraolímpicos têm buscado a igualdade de oportunidades para competir nos Jogos Olímpicos. O precedente foi criado por Neroli Fairhall, uma arqueira paraolímpica da Nova Zelândia, que competiu nos Jogos Olímpicos de Verão de 1984 em Los Angeles.  Em 2008, Oscar Pistorius, um velocista sul-africano, tentou se classificar para as Olimpíadas de 2008. Pistorius teve as duas pernas amputadas abaixo do joelho e corre com duas lâminas de fibra de carbono. 

Ele detém os recordes paraolímpicos nas provas dos 100, 200 e 400 metros. Em 2007, ele competiu em seu primeiro meeting internacional em pista para não-deficientes, após o qual a Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), órgão regulador do atletismo, proibiu o uso de qualquer dispositivo técnico que empregue "... molas, rodas ou qualquer outro elemento que forneça ao usuário uma vantagem sobre outro atleta que não utilize esse dispositivo." A preocupação entre os atletas e a IAAF foi que as lâminas de Pistorius lhe dessem uma vantagem injusta. A IAAF, em seguida, determinou que Pistorius estava inelegível para o Jogos Olímpicos de 2008. 

Esta decisão foi anulada pelo Tribunal Arbitral do Desporto, que alegou que a IAAF não tinha apresentado provas científicas suficientes que as próteses de Pistorius lhe dava vantagens indevidas. Consequentemente, se ele conseguisse um tempo de qualificação olímpica, ele seria autorizado a competir. Sua melhor oportunidade para se qualificar foi na corrida de 400 metros. Pistorius perdeu o tempo de qualificação olímpica, a uma distância de 0,70 segundo. Ele competiu nos Jogos Paraolímpicos de Verão de 2008, onde ganhou medalhas de ouro nos 100, 200 e 400 metros sprints.

Os atletas sem deficiência também competem nos Jogos Paraolímpicos: os guias visuais para atletas com deficiência visual, são uma parte estreita e essencial da competição, que o atleta com deficiência visual e o guia são considerados uma equipe, e ambos são candidatos a medalhas.


Deficientes nos Jogos Olímpicos


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